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26.02.2016 | admin

A trajetória de sucesso da Magnet Forensics e seu IEF

Jad Saliba, ex-policial e fundador da Magnet Forensics, passou a investigar os crimes digitais após se afastar para tratar um linfoma de Hodgkins

Jad Saliba, ex-policial e fundador da Magnet Forensics, passou a investigar os crimes digitais após se afastar para tratar um linfoma de Hodgkins

Como o software de recuperação de evidências desenvolvido pelo ex-policial de Waterloo está mudando a forma como um crime é investigado. O Financial Post publicou a matéria e a TechBiz Forense Digital, parceira da Magnet Forensics, faz aqui a livre tradução. Clique aqui para ler o original

Por Claire Brownell
Financial Post
cbrownell@nationalpost.com
Twitter.com/clabrow

WATERLOO, Ont. • A dramática troca de tiros que resultou na captura de Dzhokhar Tsarnaev, responsável por explodir uma bomba na Maratona de Boston de 2013, que matou três pessoas e feriu mais de 260, foi apenas o começo de uma intensa operação policial. Menos emocionante, mas tão importante quanto, foi a tarefa de vasculhar pelo menos 30 dispositivos eletrônicos apreendidos e fazer a conexão com a investigação sobre Dzhokhar e seu irmão Tamerlan Tsarnaev, que foi morto durante o tiroteio anterior.

Os dispositivos a serem investigados, incluindo sete computadores, 10 discos rígidos externos e 13 telefones celulares, continham mais de 20 mil peças de dados. Peneirar informações relevantes nesses dispositivos manualmente poderia levar anos. Cada app e programa — Facebook, Skype, web browsers e tudo mais que os irmãos e seus familiares utilizavam — mantêm um registro de mensagens e buscas, mesmo depois de serem deletados. Mas, encontrar e recuperar esses registros escondidos é complicado e demanda tempo, afinal cada programa armazena os dados de forma diferente.

Mas, os investigadores tiveram ajuda. Utilizando uma solução chamada Internet Evidence Finder, o FBI (Federal Bureau of Investigation) foi capaz de reduzir esses 20 mil registros a 735 registros relevantes em apenas alguns meses. IEF permitiu que a polícia fizesse buscas sistemáticas nos dispositivos por termos relevantes relacionados ao islamismo, explosivos e política na região do Cáucaso, catalogando as evidências para apresentá-las no julgamento. Os registros encontrados foram de importância vital para se construir o caso de acusação. Ano passado, Tsarnaev foi considerado culpado e sentenciado à pena de morte.

Saber sobre o papel do IEF (Internet Evidence Finder) nesta e em outras investigações é uma grande satisfação para o policial aposentado de Waterloo Jad Saliba. Saliba desenvolveu o IEF em seu tempo livre, quando trabalhava na unidade de crimes tecnológicos da Polícia de Waterloo, ao se dar conta da enorme necessidade de uma ferramenta que automatizasse o processo de busca por evidências em dispositivos digitais.

Hoje, o Internet Evidence Finder tornou-se uma ferramenta padrão entre as maiores forças policiais do mundo e instituições de segurança pública e é usado por mais de 3 mil agências em 92 países. A Magnet Forensics Inc., a companhia fundada por Saliba ao deixar a polícia em 2011, fez o seu primeiro quarto de milhão de dólar em 2012 e foi nomeada uma das oito companhias de maior crescimento no Canadá pela Deloitte em 2015. Em Dezembro, a companhia anunciou uma parceria com a In-Q-Tel, empresa americana de capital de risco que realiza investimentos em companhias cujos produtos sejam de interesse da CIA.

Apesar de tudo isso, Saliba tem conseguido ficar fora dos holofotes, o que lhe agrada. Em seu escritório em Waterloo, ele diz que responder perguntas pessoais “não é uma das suas coisas favoritas”.

A recompensa de Saliba vem quando ele sabe que o produto que desenvolveu fez diferença ao ajudar policiais a pegar pedófilos ou garantir a condenação de um caso de terrorismo. “Este é o melhor sentimento do mundo”, ele diz. “É por isso que todos aqui fazem o que fazem.”

Criado em Cambridge, em Ontário, Saliba consertava computadores enquanto sonhava em ser policial. Sem se dar conta de que poderia combinar ambos os interesses, ele se graduou em Ciência da Computação em Mohawk College em 2002 e iniciou sua carreira com tecnologia na OpenText Corp. Antes de decidir mudar de direção e se juntar à Polícia de Waterloo em 2004.

Saliba poderia ter feito uma longa carreira atendendo chamados de roubos e arrombamentos se não tivesse diagnosticado em 2007 um linfoma de Hodgkins. Depois de um ano de tratamento médico envolvendo quimioterapia e radiação, Saliba foi transferido para a área de crimes tecnológicos da polícia.

Saliba se deparou investigando um crescente número de casos envolvendo mensagens de chat enviadas via Facebook, muitas delas relacionadas à exploração sexual de menores. Ele tinha certeza de que o Facebook estava armazenando aquelas mensagens em algum lugar que poderia ser encontrado nos laptops e smartphones que a polícia estava apreendendo, mas não estava claro como recuperar essas mensagens.

“Eu fui para casa um dia e comecei a fazer algumas pesquisas para ver se alguma coisa era deixada para trás em um computador quando se usava Facebook ou ferramentas de chat”, disse Saliba. “E descobri que havia.”

Jad Saliba começou a trabalhar em uma forma de automatizar o processo de recuperar as evidências. Durante o dia, ele poderia ir para o trabalho e investigar os casos; à noite, em casa, depois de jantar e colocar os seus três filhos para dormir, ele não desligava o seu laptop e iniciava o trabalho que resultaria no software IEF.

Quando ele desenvolveu uma versão funcional do IEF, começou a fornecê-lo gratuitamente às agências de segurança. Foi quando percebeu que precisaria de ajuda para tornar deste um empreendimento em tempo integral.

Ex-executivo da BlackBerry, Adam Belsher conseguiu com o IEF e a Magnet Forensics a guinada profissional que aspirava

Enquanto isso, o executivo da BlackBerry Adam Belsher estava querendo fazer uma mudança em sua vida profissional. Depois de 13 anos em posições de vendas e desenvolvimento de negócios, Belsher estava preparado para comprar um negócio ou se tornar parceiro de algum já existente.

Aconteceu de Saliba e Belsher terem o mesmo contador que os introduziu em uma reunião no verão de 2011. Saliba diz ter se impressionado com a pasta de pesquisa de marketing que Belsher lhe apresentou, e Belsher gostou do fato de Saliba estar mais interessado em ouvir do que em falar.

A dupla abandonou o emprego e no outono de 2011, Belsher tornou-se executivo-chefe e Saliba assumiu o papel de CTO (Chief Technology Officer) da nova companhia. Quando fizeram o seu primeiro quarto de milhão, em 2012, Belsher soube que tinha feito a escolha certa. “Eu realmente senti que essa era uma grande oportunidade que nós estávamos buscando, mas era – uau –, era realmente grande”, disse Belsher. “Nós comemoramos muito ao atingir essa marca.”

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A Magnet Forensics recentemente anunciou sua parceira com a organização de capital de risco da CIA, a In-Q-Tel. Parceira que estava envolta em segredos, obviamente. Tanto a Magnet Forensics e a In-Q-Tel recusaram-se a revelar não apenas o tamanho do investimento, como também o tipo de investimento – empréstimo, capital próprio ou acordo de licenciamento para desenvolver um produto específico.

“Isso nos ajudará a aprender o que mais podemos fazer com nosso produto para beneficiar forças da lei e a comunidade de inteligência”, diz Saliba. “Há também potencial de outras parcerias que podem vir disso, outras portas que podem se abrir, e que eu não posso identificar neste momento.”

Como demonstraram as revelações de Edward Snowden sobre o programa de vigilância da NSA (National Security Agency) existe um lado negro da tecnologia que ajuda os governos a manter um melhor controle sobre as comunicações digitais dos cidadãos. O debate está sendo travado nos EUA sobre se as empresas de tecnologia devem permitir aos consumidores criptografar suas comunicações, tornando mais difícil a operação de softwares como o IEF.

Saliba diz que não venderá o seu software a países ou organizações que estejam na lista de embargo ou submetidas a alegações de abuso dos direitos humanos, em um esforço de prevenir que ele seja usado por regimes repressivos ou grupos repulsivos. Ele se recusa a se posicionar sobre a questão da criptografia, preferindo deixar que “os advogados decidam”.

Existe uma parede no escritório da Magnet Forensics com a foto de todos os empregados. Os funcionários viram o retrato crescer de 8, há dois anos atrás, para cem, atualmente. Saliba e Belsher disseram procurar pessoas que acreditam, pessoas que são motivadas por histórias sobre o impacto do software.

“Para além de querer ser uma empresa de sucesso e fazer um bom trabalho, é importante ter o retorno dessas histórias que validam todo o trabalho duro que estamos fazendo”, diz Saliba. “É certamente muito importante para nossos colaboradores serem capazes de compartilhar isso quando for possível. É um sentimento maravilhoso. ”

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